quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Neoconcretismo

A ruptura neoconcreta na arte brasileira data de março de 1959, com a publicação do Manifesto Neoconcreto pelo grupo de mesmo nome, e deve ser compreendida a partir do movimento concreto no país, que remonta ao início da década de 1950 e aos artistas do Grupo Frente, no Rio de Janeiro, e do Grupo Ruptura, em São Paulo. Tributária das correntes abstracionistas modernas das primeiras décadas do século XX - com raízes em experiências como as da Bauhaus, dos grupo De Stijl [O Estilo] e Cercle et Carré, além do suprematismo e construtivismo soviéticos -, a arte concreta ganha terreno no país em consonância com as formulações de Max Bill, principal responsável pela entrada desse ideário plástico na América Latina, logo após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

O contexto desenvolvimentista de crença na indústria e no progresso dá o tom da época em que os adeptos da arte concreta no Brasil vão se movimentar. O programa concreto parte de uma aproximação entre trabalho artístico e industrial. Da arte é afastada qualquer conotação lírica ou simbólica. O quadro, construído exclusivamente com elementos plásticos - planos e cores -, não tem outra significação senão ele próprio. Menos do que representar a realidade, a obra de arte evidencia estruturas e planos relacionados, formas seriadas e geométricas, que falam por si mesmos. A despeito de uma pauta geral partilhada pelo concretismo no Brasil, é possível afirmar que a investigação dos artistas paulistas enfatiza o conceito de pura visualidade da forma, à qual o grupo carioca opõe uma articulação forte entre arte e vida - que afasta a consideração da obra como "máquina" ou "objeto" -, e uma ênfase maior na intuição como requisito fundamental do trabalho artístico. As divergências entre Rio e São Paulo se explicitam na Exposição Nacional de Arte Concreta, São Paulo, 1956, e Rio de Janeiro, 1957, início do rompimento neoconcreto.

O manifesto de 1959, assinado por Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Clark, Lygia Pape, Reynaldo Jardim e Theon Spanudis, denuncia já nas linhas iniciais que a "tomada de posição neoconcreta" se faz "particularmente em face da arte concreta levada a uma perigosa exacerbação racionalista". Contra as ortodoxias construtivas e o dogmatismo geométrico, os neoconcretos defendem a liberdade de experimentação, o retorno às intenções expressivas e o resgate da subjetividade. A recuperação das possibilidades criadoras do artista - não mais considerado um inventor de protótipos industrais - e a incorporação efetiva do observador - que ao tocar e manipular as obras torna-se parte delas - apresentam-se como tentativas de eliminar certo acento técnico-científico presente no concretismo. Se a arte é fundamentalmente meio de expressão, e não produção de feitio industrial, é porque o fazer artístico ancora-se na experiência definida no tempo e no espaço. Ao empirismo e à objetividade concretos que levariam, no limite, à perda da especificidade do trabalho artístico, os neoconcretos respondem com a defesa da manutenção da "aura" da obra de arte e da recuperação de um humanismo.

Uma tentativa de renovação da linguagem geométrica pode ser observada nas esculturas de Amilcar de Castro. Os cortes e dobras feitos em materiais rígidos como o ferro, evidenciam o trabalho despendido na confecção do objeto. Do embate entre o ato do artista - que busca traços precisos - e a matéria resistente, nasce a obra, fruto do esforço construtivo, mas também da emoção. Nas palavras de Castro: "Arte sem emoção é precária. Max Bill queria uma coisa tão fabulosamente pura, sem emoção". Nas séries dos Bilaterais e Relevos Espaciais, 1959, de Hélio Oiticica e nos Trepantes realizados por Lygia Clark na década de 1960, por exemplo, as formas conquistam o espaço de maneira decisiva para, logo em seguida, romper as distâncias entre o observador e a obra, como nos Bichos, criados por Lygia Clark e nos Livros, de Lygia Pape. A arte interpela o mundo, a vida e também o corpo, atestam o Ballet Neoconcreto, 1958, de Lygia Pape e os Penetráveis, Bólides e Parangolés criados por Oiticica nos anos 1960. A cor, recusada por parte do concretismo, invade as pesquisas neoconcretas, por exemplo nas obras de Aluísio Carvão, Hércules Barsotti, Willys de Castro e Oiticica. Estudos realizados sobre o tema frisam o lugar do movimento neoconcreto como divisor de águas na história das artes visuais no Brasil; um ponto de ruptura da arte moderna no país, diz o crítico Ronaldo Brito.


Documentário - A Necessidade da Arte

Gullar em documentário em 13/12/10, dirigido por Zelito Viana, Vera Paula, Aruanna Cavalleiro e Cláudio Duarte, reflete sobre o salto conceitual da arte no século 19 e explica por que o homem necessita da arte e da fruição do belo.


Post de Bárbara N13

Livro ''Em Alguma Parte Alguma''







Após dez anos da publicação de seu último livro de poemas, Muitas vozes, Ferreira Gullar entrega ao público, agora, este Em alguma parte alguma, em que dá prosseguimento à reflexão poética sobre a existência. Este difere dos livros anteriores, no desenvolvimento de novos temas e, sobretudo, pelas questões que suscita na realização do poema.

É ele mesmo, o autor, quem costuma assinalar, como característica de sua produção poética o fato de que, sem que o busque deliberadamente, cada um de seus livros de poemas difere do outro, bem mais do que costuma ocorrer num mesmo autor. Faz questão de assinalar que não planeja seus livros de poemas, sendo eles, portanto, resultado da própria indagação poética e da reflexão sobre a vida e sobre seu trabalho de poeta.

Ferreira Gullar afirma que o seu poema nasce do “espanto”, quando inesperadamente depara-se com um aspecto inesperado do real e, a partir daí, vão se sucedendo os poemas, até que a motivação se esgote. Isso explica a recorrência de determinados temas, que, tempos depois, voltam a ganhar atualidade.

Nestes últimos anos, a obra de Ferreira Gullar, já consagrada pela crítica e pelos leitores, foi distinguida com prêmios de alta significação na vida cultural, como o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, e, este ano, com o Prêmio Camões, a mais alta distinção que se concede a escritores de língua portuguesa. Gullar foi também indicado para o Prêmio Nobel de Literatura, em 2002 e 2004.

Post de Joice Patrícia N23


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Principais Obras de Ferreira Gullar


Poesia


-Um pouco acima do chão, 1949
-A luta corporal, 1954
-Poemas, 1958
-João Boa-Morte, cabra marcado para morrer (cordel), 1962
-Quem matou Aparecida? (cordel), 1962
-A luta corporal e novos poemas, 1966
-História de um valente, (cordel, na clandestinidade, como João Salgueiro), 1966
-Por você por mim, 1968
-Dentro da noite veloz, 1975
-Poema sujo, 1976
-Na vertigem do dia, 1980
-Crime na flora ou Ordem e progresso, 1986
-Barulhos, 1987
-O formigueiro, 1991
-Muitas vozes, 1999

Antologias

-Antologia poética, 1977
-Toda poesia, 1980
-Ferreira Gullar - seleção de Beth Brait, 1981
-Os melhores poemas de Ferreira Gullar - seleção de Alfredo Bosi, 1983
-Poemas escolhidos, 1989

Contos

-Gamação, 1996
-Cidades inventadas, 1997

Teatro

Um rubi no umbigo, 1979

Crônicas

-A estranha vida banal, 1989
-O menino e o arco-íris, 2001

Memórias 

Rabo de foguete - Os anos de exílio, 1998

Ensaios

-Teoria do não-objeto, 1959
-Cultura posta em questão, 1965
-Vanguarda e subdesenvolvimento, 1969
-Augusto do Anjos ou Vida e morte nordestina, 1977
-Tentativa de compreensão: arte concreta, arte neoconcreta - Uma contribuição brasileira, 1977
-Uma luz no chão, 1978
-Sobre arte, 1983
-Etapas da arte contemporânea: do cubismo à arte neoconcreta, 1985
-Indagações de hoje, 1989
-Argumentação contra a morte da arte, 1993
-O Grupo Frente e a reação neoconcreta, 1998
-Cultura posta em questão/Vanguarda e subdesenvolvimento, 2002
-Rembrandt, 2002
-Relâmpagos, 2003

Televisão

-Araponga - 1990/1991 (Rede Globo) - colaborador
-Dona Flor e Seus Dois Maridos - 1998 (Rede Globo) - colaborador
-Irmãos Coragem- 1995 (Rede Globo) - colaborador

Post de Nickolli França  N°32

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A arte existe porque a vida não basta.
Ferreira Gullar.
                                           
Post de Bárbara Nº13

Ferreira Gullar e Clarice Lispector : Poetas e amigos

Post de Bárbara Nº13

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Cantiga para não morre

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve. 

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração. 

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar. 

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
             
        Ferreira Gullar

Post da Arianny Paiva, nº 10