Após dez anos da publicação de seu último livro de poemas,
Muitas vozes, Ferreira Gullar entrega ao público, agora, este Em alguma parte
alguma, em que dá prosseguimento à reflexão poética sobre a existência. Este
difere dos livros anteriores, no desenvolvimento de novos temas e, sobretudo,
pelas questões que suscita na realização do poema.
É ele mesmo, o autor, quem costuma assinalar, como
característica de sua produção poética o fato de que, sem que o busque
deliberadamente, cada um de seus livros de poemas difere do outro, bem mais do
que costuma ocorrer num mesmo autor. Faz questão de assinalar que não planeja
seus livros de poemas, sendo eles, portanto, resultado da própria indagação
poética e da reflexão sobre a vida e sobre seu trabalho de poeta.
Ferreira Gullar afirma que o seu poema nasce do “espanto”,
quando inesperadamente depara-se com um aspecto inesperado do real e, a partir
daí, vão se sucedendo os poemas, até que a motivação se esgote. Isso explica a
recorrência de determinados temas, que, tempos depois, voltam a ganhar
atualidade.
Nestes últimos anos, a obra de Ferreira Gullar, já
consagrada pela crítica e pelos leitores, foi distinguida com prêmios de alta
significação na vida cultural, como o Prêmio Machado de Assis, da Academia
Brasileira de Letras, e, este ano, com o Prêmio Camões, a mais alta distinção
que se concede a escritores de língua portuguesa. Gullar foi também indicado
para o Prêmio Nobel de Literatura, em 2002 e 2004.
Post de Joice Patrícia N23

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